Quinta passada fui a um evento com um casal de amigos queridos na livraria Cultura do Shopping Iguatemi em São Paulo. Lançamento de um livro escrito por um monge budista, Yongey Mingyur Rinpoche, que me foi apresentado como um monge top rs! Eu sou daquelas que amo estudar e as religiões sempre exerceram um fascínio em mim. Acho que todas apontam para o bem, portanto tento aprender um pouquinho de cada… Lá fui eu toda feliz. Organizei a logística do Tom: ele ficou com a minha mãe e eu consegui dar uma escapadinha. Sentada ali ouvindo o monge falar um inglês macarrônico, mas muito simpático, me dei conta de como me sinto bem quando estou exercendo meu modo “pensante” seja em uma palestra, curso, exposição ou conversa mais filosófica com alguma amiga.

Lembrei também que Tom era pequeno quando eu o levei no carrinho junto da minha mãe (super avó em ação novamente) na mesma livraria para um debate sobre o que as pessoas liam comandado por Maria Ribeiro, Xico Sá entre outros. Minha mãe ficou inconformada que levei Tom, carrinho, papinha, mamadeira, lencinho, aquela logística bem banal quando saímos de casa só para participar daquele bate-papo. Eu amo ler e estava sedenta na época por qualquer evento que não fosse relacionado à galinha pintadinha ou puericultura rs. E lá fomos nós! Tom sassaricou na livraria, chorou, pediu água… enfim foi aquele tal de dar a chupeta, tira a chupeta, dá uma volta, volta no carrinho, brinca com a atendente, bagunça na área infantil, reveza entre os colos da mãe e da avó e por fim termina no colo da Maria Ribeiro autografando meu livro! Mãe exausta mas renovada! Feliz pela troca, por ouvir histórias interessantes, por ser provocada a pensar.

Maria Ribeiro e Tom

 

Mas voltando ao monge! O livro dele mais recente consiste nas quatro práticas fundamentais do budismo e a primeira chama-se Preciosa Existência Humana, o qual bem resumidamente (entendo muito pouco) consiste em apreciar e agradecer pelas coisas que temos em nossas vidas. Fizemos um breve exercício ali sobre isso mas voltando para a casa, o tema ressurgiu em meus pensamentos. Primeiramente pela sensação de prazer que senti ao deixar a livraria. Como é bom ouvir alguém compartilhando conhecimento especialmente se o intuito é a nossa evolução! Agradeci então mentalmente por essas oportunidades que temos de nos desenvolver e pela existência dessas pessoas que vem para cá com essa missão especial. Mas meu foco nesse texto é te perguntar: o quanto você está se abrindo para novos interesses ou se aprofundando em algum deles? Vocês, mães, conseguem um tempinho para vocês ou se interessam por outros temas?

De acordo com pesquisas feitas por mim (rs!), esse interesse em outras experiências é vital para qualquer mãe pois nos garante o mínimo de sanidade!  Por maior que seja o amor pelos filhos e por mais maravilhosa que seja essa função, é também intensa demais e extremamente cansativa. Eu particularmente não consegui me desconectar de todos os meus interesses mesmo vivendo a tão sonhada maternidade…Não sei até hoje se isso faz parte da minha natureza ou se foi um mecanismo de auto -defesa que eu possa ter desenvolvido, pressentindo a avalanche que viria logo depois! Mas inevitavelmente foi esse interesse em outros temas que me ajudou tremendamente a me reestruturar, me ocupar, até relaxar, especialmente porque filhos de pais separados não passam o tempo todo com as mães. Eu preenchi vários dos meus finais de semana sozinha e inicialmente vazios graças a eles: os meus outros interesses além da maternidade.

Se abra e se preencha de diversas formas. Filhos precisam de mães inteiras, completas, felizes, pois só dessa forma podemos ser o eixo e a energia deles. E no caso de uma separação, você precisará literalmente se reconstruir. Novos núcleos de amizades, novos hobbies e novas descobertas te farão mais leve para seguir adiante olhando a vida através de novas perspectivas. A mudança é um agente revolucionário e por mais que assuste no começo, não se deixe paralisar por ele. Mudar é preciso e a vida é feita de ciclos. Mais uma coisa que devemos ser gratos e apreciar: a impermanência (outra premissa budista que gosto muito!) e tudo que essa traz para nossas vidas com a certeza de que tudo passa, seja bom ou ruim. Termino esse texto citando uma frase de Charles Darwin que gosto muito: “Não é o mais forte de uma espécie que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o mais receptivo às mudanças”. Se reinvente sem medo!