Meninas, tudo bem? Hoje uma amiga querida que fez faculdade de Hotelaria comigo, assume a coluna. Nos falamos recentemente sobre trabalho e maternidade, na verdade falávamos sobre as dificuldades em conciliar os dois papeis e aí ela me falou do texto abaixo que ela escreveu em um momento de desabafo. Adorei e quis dividir com vocês. Espero que vocês gostem.

“Meu grande sonho na vida sempre foi casar e ser mãe. Não, não nasci no século passado, mas esses dois chamados sempre fizeram meu coração bater mais forte.Desde adolescente sabia que queria isso pra mim e me lembro muito bem da minha 1ª entrevista na hotelaria, área em que sou formada e trabalhei por alguns anos.Minha chefe, uma executiva linda, loira, bem sucedida, que dirigia um carro importado branco, me disse, quando eu falei sobre ser mãe (vai entender porque eu falei isso numa entrevista num dos melhores hotéis de São Paulo com 19 anos!):

– Aline, pense bem no que você quer. Essa vida de luxo que eu tenho, como executiva, me custou minha família. Estou no 4º casamento e não tive filhos. 

Aquilo martelou na minha cabeça por muitos anos. Mas guardei numa caixinha, pois ao mesmo tempo aquela era a fase da vida em que eu sabia que deveria construir um caminho profissional sólido. Afinal, havia investido muitos anos em escola, intercâmbio, idiomas, faculdade.

E além de tudo, eu ainda era muito nova, não é mesmo?

Não era. Minha mãe casou aos 19 anos e me teve com 22 anos. Eu achava que aos meus 20 anos já estava deixando o timing da maternidade passar. Como a vontade de repetir nossos sistemas são tão fortes dentro da gente, não é mesmo? Mas só fui ter a Isabela com 33 anos. Casei aos 29, perdi minha primeira gestação com 31, e só depois a Bela veio. Uma bebê linda, esperada, amada, milimetricamente calculada, como os primeiros filhos são! Ah tá…

Sempre senti muita falta da presença da minha mãe em casa, à tarde, comigo e com meu irmão. Sentia saudades mesmo! Via ela correndo pra lá e pra cá, saindo para nos buscar na escola na hora do seu almoço, e pensava: – Não quero isso pra mim quando tiver filhos!Por isso, havia chegado a hora de abrir mão da minha vida profissional para cuidar daquele ser humaninho que havia me roubado tudo: sono, paz, independência, meu corpo e principalmente meu coração!

Comecei abrindo mão de uma grande paixão: escrever para um grande blog aqui de Santos. Era meu segundo trabalho e tínhamos que produzir muito conteúdo, organizar eventos. Como fazer isso com uma filha agora?Voltei ao trabalho e podia ouvir da minha mesa a Bela chorando lá na creche! Por sorte (da escola) eles não tinham câmeras. Essa psicose teria sido bem pior.Meu marido era bem claro em dizer que a decisão de parar de trabalhar era minha! Ele não podia mesmo decidir algo tão sério por mim.

Falei com minha chefe na época que, do seu jeito bem peculiar, me disse: – Se for fala logo, porque tem uma fila de gente querendo seu lugar! Recuei. Recuei mais uma vez  quando sentia que estava descansando quando vinha para o trabalho (as mães que trabalham entenderão!). Recuei de novo quando pensei em depender financeiramente do meu marido para fazer a unha.

Entrei na terapia e consegui me dar conta que a Aline que trabalhava era uma parte muito importante de mim. Assim como a minha mãe que trabalhava era uma parte muito importante dela, e que nem por isso ela não sofria pela ausência ou sentia saudade de mim também.Depois de alguns meses na terapia, estava grávida da minha 2ª filha, a Helena.

Engravidei no primeiro mês de tentativas. Essa foi apenas a primeira quebra de paradigmas que o segundo filho nos traz.

Na gravidez da Helena comi tudo que tinha vontade, não checava o papel higiênico toda vez que fazia xixi para ver se havia algum escape (quem perdeu uma gestação sabe…), fiz um ensaio gestante num forte cheio de escombros. Foi tudo tão leve!

E assim é a Helena, uma criança leve que gargalha dormindo. A Bela é amorosa, carinhosa, meiga, preocupada com todos, bem como aquela Aline da primeira gestação.

Hoje continuo trabalhando, e muito! Assumi meu lado profissional com muito amor também. Parei de me questionar tanto, e pelo contrário, voltei a estudar e planejar um futuro mais equilibrado em relação ao tempo no trabalho e com elas.Sofro com oportunidades que deixo de aproveitar porque me tirariam mais tempo com elas, possivelmente até ausência física. É uma frustração de saber que você consegue tanto mais profissionalmente, mas não está disposta a pagar esse preço.Eu não estou. Moro em Santos, minhas filhas brincam todos os dias no verão na praia, na água do mar. Meu prédio não tem play. Nem precisa! Acordo todo dia lembrando das minhas escolhas. Tem dias que são fáceis. Tem dias que quero voltar para a cama e dormir até passar pro outro capítulo da minha história.

Ano que vem quero ter mais um bebê! Por enquanto, da minha vida, essa é minha única certeza.

Quando olho para o que construí até aqui vejo que eu estava certa, lá quando era adolescente. Meu chamado mais forte é mesmo a maternidade.Mas não do jeito que eu imaginei que seria. Desse jeitinho tapa na cara da realidade mesmo. Altos e baixos. Dias de amor, dias de saco na lua. Dias de querer ser sozinha e dias de não querer parar de parir!”

 Aline, Rodrigo, Isabela e Helena.