Hoje, uma amiga de uma amiga, ambas muito queridas, assume a coluna Inspirações. Ela nos conta sobre sua história que aconteceu há alguns anos. A conheci indo para um show de música francesa e gostei dela imediatamente até porque ela gosta de ZAZ como eu e vamos combinar que não é todo mundo que conhece cantores franceses rs. Uma mulher resolvida, competente e bem sucedida na profissão e mãe do Vini. Se mudou para os EUA há pouco tempo por conta de uma promoção no trabalho e mais uma vez está recomeçando sua vida agora em solo estrangeiro. Ela tem uma relação muito civilizada e justa com o ex-marido e isso me marcou. Além de ser algo admirável, foi essa condição que permitiu a todos a construção de vínculos saudáveis, crescimento emocional e um filho feliz. Leiam e façam uma boa “limonada” sempre que vocês receberem limões da vida!

“Eu sou a Juliana Pimentel. Conheci a Tarsila através de uma amiga minha de infância, numa ocasião alegre e que para mim e para a Tarsila chega a ser engraçada: a caminho de um show da cantora Francesa ZAZ em São Paulo, eu, a Dani e a Clarissa passamos para pegar a Tarsila na casa dela. De lá até o local do show a Tarsila me contando da maratona que é a gente conseguir coincidir as “folgas” de agenda para poder ter umas horinhas de diversão com amigas. Mas que bom que aquele dia conseguimos!!! Que bom que conheci a Tarsila e que maravilhosa a ideia dela de criar o blog, o Instagram, o facebook e o YouTube!

Estou agora muito feliz de ter a oportunidade de contribuir com um depoimento para o blog Meu Tom Maternal.  Espero que as leitoras e leitores gostem.

Eu namorei o pai do meu filho por 6 anos, e permanecemos casados por mais 6 anos. O divórcio aconteceu quando nosso único filho tinha 1 ano e meio de idade. O divórcio não foi algo planejado, como tinha sido o casamento. Foi muito repentino e doloroso. Eu me lembro bem do quanto sofri. Mas me lembro ainda mais que na primeira semana eu decidi procurar terapia, pois no meio daquele sofrimento todo a voz interna que falava mais alto me dizia: “você precisa de ajuda profissional para enfrentar essa situação sem prejudicar seu filho.” Como na maioria dos divórcios repentinos houve muita crítica, muito palpite, ânimos exaltados, mas acima de tudo eu enxergava que havia ali no meio daquilo tudo a coisa mais preciosa da minha vida: meu filho, o bebê mais lindo do mundo e a minha razão de existir. Eu não podia sequer imaginar que ele sentisse a tristeza que eu estava sentindo. Então eu acredito que eu fiz a melhor coisa que eu poderia ter feito que foi me fortalecer mental e psicologicamente para não deixar respingos prejudicarem a relação dele com o pai, a formação de caráter do meu filho, e principalmente para que ele tivesse na mãe e no pai dele os seus maiores exemplos de amor, que ele jamais tivesse dúvida de que as pessoas que mais o amam na vida dele somos nós: sua mãe e seu pai.

Graças a Deus e a força que a terapia me deu (e também porque eu não fui para a terapia obrigada e sim por convicção de que eu precisava e queria esta ajuda), o processo do divórcio foi rápido. Super rápido mesmo: em menos de 2 meses estávamos com tudo acertado, papelada assinada, tudo explicadinho e entendido TIM TIM por TIM TIM hahahahaha.

Não vou dizer que eu e o pai do Vini nos tornamos melhores amigos. Não, nem perto disso. Mas conseguimos estabelecer regras claras e justas, e tivemos capacidade de cumpri-las muito bem desde o início.

O Vini (nosso filho) desde a separação se acostumou a passar finais de semana intercalados comigo e com o pai, viajar com o pai para visitar avós e primos, passar férias comigo e férias com o pai, e cresceu gostando de ter duas casas, foi privilegiado de ver entrega de presentes do papai Noel em duas casas diferentes todos os anos (aliás as cartas dele para o papai Noel são engraçadíssimas, ele escreve assim: “papai Noel na casa da mamãe eu quero que você deixe tal presente, e na casa da Vovó Dita em que eu estarei com o papai quero que você me leve tal coisa” e quando chega a noite de Natal, se ele está comigo, o pai manda vídeo do presente que o aguarda na casa dele, e vice versa). Até hoje ele brinca: “mãe não é verdade que eu tenho tudo em dobro em comparação com outras crianças?”

Mas eh claro que nem tudo são sempre flores. Houve sim períodos de questionamentos, do tipo “mamãe por que eu não posso viajar com você e o papai juntos?” Ou ainda “mamãe por que você e o papai não quiseram mais morar juntos?” Mas eu sempre respondi com clareza e com carinho que eu e o papai quisemos muito que ele nascesse, mas que os adultos às vezes decidem que preferem não morar mais juntos e não serem mais casados e que isso não muda em nada o nosso amor por ele.

E eu acredito que com o passar do tempo o Vini entendeu isso da melhor forma que foi possível.

Bom, o tempo passou, a tristeza dos primeiros meses pós divórcio se tornou uma lembrança que visito raramente, e eu vejo em meu filho hoje um menino maduro para a sua idade, alegre e bem resolvido em relação à situação dos pais.

Houve momentos que eu precisei inclusive ponderar e abrir mão da pensão do meu filho em razão de um período difícil em que o pai dele ficou desempregado. Graças a Deus não houve briga e graças a Deus ele se recolocou e voltou a poder arcar com a metade do custo de vida do Vini. Nesta fase já não seguíamos nem mesmo o que constava no acordo do divórcio. Refizemos nosso acordo sem sequer precisar de um advogado (aliás somos os dois advogados), montamos uma planilha com todos os gastos fixos e variáveis do Vini, e cada um pagava exatamente a metade.

Acredito que em razão desta relação Ética e Razoável, considerando sempre no centro o amor que temos por nosso filho, é que há cerca de 9 meses quando eu recebi uma oferta de trabalho nos EUA, pudemos conversar abertamente e decidirmos juntos que seria bom para o Vini vir comigo nesta empreitada. Fizemos uma total renegociação sobre a guarda, e a parte financeira, pela terceira vez, sendo então a segunda vez em que não tivemos a necessidade de nenhum advogado para intermediar, de forma que o pai do Vini concordou e concedeu todas as autorizações e documentos necessários para nos mudarmos para os EUA por entender que esta experiência será benéfica para ele no futuro, e em contrapartida nosso combinado financeiro já possibilitou que em 4 meses em outro país o pai viesse visitá-lo por duas vezes e ele ainda irá ver o pai no Brasil outras duas vezes neste ano. E se Deus permitir, assim continuará! O bem estar emocional e a formação de caráter do nosso filho como ser humano do bem, que sabe ser muito amado, é e sempre será a prioridade em minha vida!

Sou hoje muito feliz pois minha vida seguiu o rumo que eu escolhi, o final do casamento não me tornou amarga nem infeliz, e meu filho é tão feliz como qualquer outra criança que more com pais casados (na verdade em certas situações meu filho é ainda mais feliz, pois ele nunca viu os pais sequer discutindo na frente dele).

Eu acredito que nada acontece na vida por acaso, e que todos nós três que vivemos esta história tivemos a chance de escrever o nosso destino da melhor maneira possível, pois nos tornamos pessoas melhores pela forma como lidamos com a situação, apesar da tristeza da época do divórcio.

Lamentar, remoer, procurar culpados, numa fase de divórcio, não ajuda ninguém, muito menos a criança que não consegue entender o clima de raiva entre os pais que deveriam apenas lhes ensinar sobre o amor. Decidir como passarão todos os membros da família por esta dolorosa experiência, isto sim pode contribuir para crescimento emocional da família toda.”

5/10/18