Estou para escrever sobre esse tema há muito tempo. Acho ele pertinente tanto para mães que sejam casadas mas especialmente para mães que se separaram. Dependendo do regime de guarda, elas como eu, ficam a maior parte do tempo com as crianças. A Maternidade é algo igualmente incrível e cansativo pois te engole literalmente de tão intenso que o processo é. Eu trabalho bastante e já trabalhei muito nessa vida mas não me lembro de nenhuma época que eu estivesse tão exausta como hoje rs. Gerenciar filhos, casa, trabalho, cachorro, boletos, agora felizmente um namorado… não é para qualquer um e fica muito fácil, levemente inevitável esquecer da gente nessa equação complexa e injusta eu diria.

Eu demorei muito para escutar os pedidos de meu corpo e da minha cabeça desde que me separei. Me joguei com tamanho furor na minha nova realidade e sempre acreditei que daria conta. Tenho essa coisa péssima enraizada de que sou capaz de matar a bola no peito a qualquer preço. Minha mãe, irmãs, terapeuta, amigas mais próximas, todas me avisaram que eu precisaria de alguma ajuda eventualmente pois estava muito cansada e dando conta de muitas coisas. Trabalho muito, acordo cedo, Tom me demanda demais quando estou em casa (carência eu acho e a culpa da mãe aqui que vos fala e assume o teclado nesse momento rs!), ele dorme tarde para o meu desespero diário e com tudo isso e episódios de tosse, xixi na cama e alguns pesadelos, me sinto exausta querendo experimentar um “red bull” junto do café todo dia pela manhã rs! As noites sozinhas com ele acontecem já há muito tempo na minha vida e esse fato impacta ainda mais a qualidade do meu sono e a quantidade de noites bem ou melhor mal dormidas.

Tudo seguia nesse ritmo alucinante quando em uma noite sozinha (Tom dormia no pai felizmente) me senti muito mal à noite. Suador, palpitação, uma câimbra como eu jamais tive ou vi antes e por fim ao levantar para ir ao banheiro, apaguei no chão do quarto. Felizmente, não me machuquei e levou algum tempo para eu entender o que havia acontecido. Eu levantei para fazer xixi, tive a câimbra sentada e acordei deitada no chão…via a minha cama na transversal. Levei um tempo para entender que eu tinha apagado. A dor na lateral da cabeça e o arranhão no braço esquerdo confirmavam a minha desconfiança. Lembro daquela manhã seguinte ligar para minhas irmãs e cair no choro copiosamente tamanho o meu susto. Naquela noite, tudo passou pela minha cabeça e meu desespero era imaginar todo tipo de doença tendo um filho pequeno. Marquei meu médico de confiança e tive mais alguns episódios até a consulta. Assustadores a propósito, todos noturnos para deixar a coisa com bastante emoção! Na minha vida aliás tudo tem sido um “passeio de buggy com muita emoção” desde que Tom nasceu eu diria! Ganhei um tour radical pelas dunas do Nordeste rs!  Mesmo aterrorizada na espera de um diagnóstico e explicações, no fundo eu sabia a razão de tudo aquilo. Eu sabia que tinha passado dos limites, que estava me exigindo além da conta há muito tempo na verdade. Matei tanta bola no peito que pifei como o Ronaldo na copa de 1998. O meu HD apagou!

Não deu outra! Quando se tem um pouco de auto conhecimento, a gente tende a se entender rs! Diagnóstico: crise de ansiedade com sintomas de fadiga e depressão. Encaminhamento para um psiquiatra e uma conversa bem franca com um médico que me conhece há uns 20 anos.” Chega Tarsila. Vocês segurou e está segurando uma barra daquelas mas você não é a Mulher Maravilha. Não dá mais para você querer dar conta de tudo. Seu corpo está te falando isso”. Eu saí em prantos de lá e sabia que ele estava certo.

Fiz exames completíssimos e felizmente não se achou nada. Trabalhar menos não era uma opção possível, muito pelo contrário no novo cenário no qual agora eu respondo por mim. Ficar menos com Tom também não, já que trabalho o dia todo. Como resolver esse algoritmo digno de segunda fase da Fuvest? Pra ser bem sincera, esse dilema me consome todo dia um pouco. A conta não fecha para mim. Tomei então medidas emergenciais.

Adotei algumas práticas como ter uma babá nos finais de semana que estou sozinha. Ela fica comigo literalmente para eu dormir um dia na semana sem ter que me preocupar ou acordar cedo. Chega na sexta e vai embora no sábado ou chega no sábado e vai embora no domingo. Foi a decisão mais sábia que tomei nos últimos tempos. A primeira vez que a babá veio ela se atrasou e me ligou preocupada pois não sabia se eu teria algum compromisso. Respondi: “Venha com calma, não sairei não! Dormirei! Esse é o plano da noite! Estou te esperando só para isso rs”!

Também estou tentando me organizar cada vez mais e mais. Listas sem fim, calendários, compras, cardápio são meus itens principais na luta constante para que tudo aconteça da maneira mais tranquila possível. Lista de coisas mais complexas sempre deixo para os finais de semana que estou sem o Tom, pois aí posso fazer as coisas com mais rapidez…

Meu próximo passo é voltar para a atividade física. Nadei por milhares de anos inclusive na minha licença maternidade. Como tive parto normal, fui liberada rapidamente para exercícios e isso me ajudou muito a manter a sanidade pós nascimento. Depois de voltar a trabalhar e do divórcio nunca mais consegui me organizar entre trabalho, Tom e casa. Me sinto mal de deixá-lo à noite para ir para uma academia e logo cedo inviável também pois ele ficaria sozinho…Tentando agora arrumar o mesmo horário para nós dois praticarmos alguma atividade. Torçam daí pois essa questão tem me perturbado…

Minha mensagem com esse texto é te alertar para a importância do teu corpo e tua mente estarem bem para você cuidar de tudo. Tenha uma rede de apoio se possível. Amigas, família, alguém que você possa contratar para te ajudar. Eu conto muito com a minha mãe, a Lu que trabalha em casa e no momento a Cle, que me faz uma mulher feliz por eu poder dormir até mais tarde uma vez por semana. As crises felizmente passaram. Sigo medicada e confesso que as madrugadas ainda me assustam. Ontem mesmo Tom tossiu muito e eu perdi o sono. Logo a lembrança daqueles mal estares horrorosos aparecem e o medo deles voltarem também. Outra coisa interessante que descobri foi que essas crises de ansiedade acontecem muitas vezes tempos depois do pico do stress, pois somos tão inteligentes que nossa mente segura a onda nos piores momentos pra vc se manter de pé mesmo… mas tempos depois a conta chega, mesmo você se sentindo bem ( meu caso rs!).

Cuide-se, pois isso também é amor próprio e isso só você pode fazer por você. Eu tenho aprendido na raça que preciso me cuidar e puxar o freio de mão muitas vezes. Não é fácil, especialmente para quem tem um estilo de vida que exige um ritmo mais acelerado… mas seguirei tentando e buscando. Abrir os olhos para isso e refletir sobre o tema já é um passo importante em direção a você mesmo. E para cuidar dos filhos, temos que estar inteiras e bem. 

Cuidem-se meninas.

03/09/18